GAMALIEL CORREA MONTI – Despachante de Trânsito em Novo Hamburgo.

 

Logo que se aposentou da Polícia Civil em final de abril de 1986, foi até a repartição para retirar seus pertences das gavetas e um fato curioso aconteceu. Um cliente que lá estava, solicitou ao senhor Monti se ele poderia encaminhar dois processos de documentação de veículos a ele, tendo em vista que agora  não fazia mais parte da repartição. A partir daí, o senhor Monti vislumbrou um mercado que, igualmente, lhe traria muita satisfação tanto pessoal como financeira. Assim, em maio daquele mesmo ano, iniciou como despachante de trânsito em Novo Hamburgo. “A nova atividade veio como uma luva”, diz o senhor Monti, uma vez que já estava inserido naquele ambiente e familiarizado com os trâmites de documentações pertinentes.
 “Sempre tive receio de retornar na repartição, após a aposentadoria, e ser tratado como um estranho; Sempre pedi que não me tratassem assim. No exercício da atividade como despachante, pude continuar o relacionamento com os antigos colegas”

Manter-se atuante era o propósito do senhor Monti e, com a nova atividade que ele mesmo qualifica de dinâmica, isso foi possível. Sempre foi respeitado por todos e recebeu apoio dos despachantes, principalmente, dos mais antigos. A boa época, em que a fonte não secava, soube trabalhar e guardar reservas financeiras para a posteridade. Com a grande mudança para o novo Detran, a categoria diminuiu sobremaneira porque muitos desistiram da atividade, diz o senhor Monti.  Mas, há que se dar a mão a palmatória, pois houve uma qualificação do despachante, permanecendo aqueles que realmente estavam estruturados ou  que se estruturaram a partir de então, e acompanharam esta evolução. Há um respeito pelo bom profissional e a sociedade percebe o despachante como uma necessidade, pois sempre vão existir pessoas que não tem tempo para enfrentar burocracias, precisando, assim, utilizarem dos nossos serviços, completa o senhor Monti.                                                                                                                       

Entretanto, é lamentável que ainda apareça nos jornais, fatos negativos envolvendo despachantes. Estas notícias maculam, diz o senhor Monti, completando ainda que mesmo que o Sindicato intervenha e tenha toda uma atenção na publicação de esclarecimentos, parece que o negativo fica na cabeça das pessoas e quem não tem conhecimento se trata-se de um despachante ou não (o que na maioria das vezes não é), já fica com ressalvas quando de uma contratação.                                                                                                                                          

É importante atualização constante porque aquele que não se capacita, será sempre “um quebra galho”, assim como ter um bom atendimento para que clientes sejam fidelizados e tragam outros, diz o senhor Monti.  Mas isso tudo tem que estar alinhado com uma postura ilibada porque as facilidades, para que um profissional se corrompa são muitas, frisando, assim, que a honestidade deve estar acima de tudo. Entende que à nova geração de profissionais a questão da qualificação é mais fácil, principalmente com relação à informatização, porque automaticamente já estão inseridos e familiarizados com as tecnologias.                     

Hoje, o senhor Monti continua trabalhando porque tem muita disposição, porque pela família já teria encerrado sua atividade. Mas ele gosta do que faz e gosta de manter o contato com as pessoas.  Assim, mantém um rol seleto de clientes mais antigos e, enquanto tiver saúde, vai continuar atuando.

Setembro/2012